Desenvolvedor de aplicações móveis. Interessa?

dispositivos moveis_ Com os dispositivos invadindo as empresas, cresce a demanda por profissionais capazes de criar aplicativos.

Com o mercado demandando o surgimento de aplicativos para rodar em iOS, Android e outros sistemas operacionais direcionados aos dispositivos móveis, as empresas estão enfrentando escassez de talentos voltados ao desenvolvimento de aplicações móveis.
Para profissionais de TI com habilidades de programação, essa lacuna representa uma oportunidade de ingressar em uma nova área. Para entender à necessidade do mercado, considere que a Apple acumulou 1,78 bilhões de dólares em vendas de aplicativos em 2010, e a venda global de aplicativos móveis deverá movimentar 4 bilhões de dólares neste ano, de acordo com o instituto de pesquisas IHS.

Quem está desenvolvendo todos esses aplicativos? Em recente estudo intitulado America’s Tech Talent Crunch o site de carreira de TI www.dice.com descobriu que anúncios de emprego para os desenvolvedores Android cresceram 302% no primeiro trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre de 2010; anúncios para iPhone aumentaram 220% no mesmo período.
No www.elance.com, site para profissionais freelancers, relatórios indicam que no primeiro trimestre de 2011 havia 4,5 mil anúncios de empregos para desenvolvedor móvel – um aumento de 101% em relação aos números registrados no mesmo trimestre do ano passado.
O número total de anúncios de emprego no site obteve incremento de 52% nesse mesmo período, indicando que a carreira de desenvolvedor de soluções pode estar crescendo duas vezes mais rápido do que o mercado de trabalho global, de acordo com Ellen Pack, vice-presidente de marketing da Elance.com.

Não são apenas as companhias de tecnologia que estão em busca de talentos para realizar o desenvolvimento de software para soluções móveis. Hoje, todos os tipos de empresas de produtos e serviços querem lançar aplicativos, assim como, há pouco tempo, eles estavam trabalhando para estabelecer uma presença nas redes sociais.
"Tornou-se uma das formas que a companhia possui para verificar se a marca tem sucesso no mercado", diz Pack. Essa realidade se traduz em uma demanda reprimida para desenvolvedores de aplicativos. "É uma daquelas áreas em que há mais demanda do que oferta, porque não há muitos desenvolvedores de soluções móveis.”
Embora existam muitos profissionais voltados ao desenvolvimento Java, aqueles com experiência para construir aplicativos nativos para o iPhone da Apple ou o iPad, para o BlackBerry ou Android, estão em falta por causa da relativa novidade dessas plataformas.
Especialistas do setor dizem que é preciso compreender as regras de utilização do dispositivo móvel, e não simplesmente contar com uma capacidade de dominar as habilidades de programação. Essa diferença sutil separa os que têm uma afinidade para o desenvolvimento móvel daqueles que simplesmente não têm.

"No desktop, existem aplicações que você pode executar do ponto de vista de design que não se aplicam em um dispositivo móvel", observa Eric Knipp, analista especializado em web e computação em nuvem do instituto de pesquisas Gartner. "Não se trata apenas de fazer os software menores ou dividir os aplicativos em telas. Desenvolvedores têm sido treinados para pensar que mais recursos equivalem a melhores aplicações, mas em dispositivos móveis isso não é verdade."

Quem está contratando e como
Tudo indica que há uma demanda crescente para a inserção de desenvolvedores de aplicativos móveis no mercado. No entanto, ela não se está traduzindo de forma generalizada. Isso porque muitas empresas, com poucos orçamentos de TI, não estão dispostas a se comprometer financeiramente na contratação de times altamente especializados e, portanto, caros, para realizar o desenvolvimento de soluções móveis.
Algumas organizações estão optando por terceirizar essa tarefa até que a necessidade cresça e exija pessoal alocado internamente. Essa é a estratégia da Aspen Skiing Co, companhia que atua em áreas de esqui. Recentemente, a estação de esqui de Colorado lançou uma série de aplicações móveis, incluindo uma que permite que gerentes usem smartphones para efetuar pesquisas com clientes da estação, e outra que possibilita aos clientes acesso às condições meteorológicas e aos eventos diários.
Enquanto a Aspen Skiing não considerar o desenvolvimento de software uma competência essencial e não puder acomodar uma grande equipe de TI, o outsourcing parece ser o plano mais eficiente – pelo menos no curto prazo. É por isso que a empresa direcionou essa atividade para uma consultoria externa.
"O ambiente mobile passa por mudanças rápidas. E, por isso, mandar para fora o desenvolvimento nos ajuda a manter esse ritmo”, diz Paul Major, diretor de TI da Aspen Skiing.

A Supermedia, que fornece serviços de marketing e publicidade para pequenas e médias empresas, também pensava inicialmente que a terceirização seria mais rentável do que o desenvolvimento em casa.
Mas depois de alguns anos do início das operações no mundo móvel, a companhia percebeu que a disciplina estava longe do seu modelo de negócios para continuar a pagar consultores externos para desenvolver aplicações, de acordo com Michael Dunn, CIO da empresa. Há um ano, a companhia decidiu criar uma equipe interna para realizar atualizações regulares e melhorar seus aplicativos para suportar o número crescente de plataformas móveis.

Ciente da falta de pessoas qualificadas para realizar o desenvolvimento, a Supermedia tomou uma série de medidas para eliminar esse gargalo. Primeiro, treinou dois desenvolvedores-chave em Java alocados internamente para aprender as novas habilidades.

Eles passam o conhecimento para o restante da equipe e ainda aos recém-formados. "O mercado decolou tão rápido e houve uma demanda tão grande para os desenvolvedores. Por isso, vamos contratar de imediato. Para nós, é mais viável", explica Dunn.
Os desenvolvedores experientes em Java conquistaram rapidamente habilidades específicas em Android, iOS e sistemas operacionais relacionados, aponta Dunn, graças a base de conhecimento que eles tinham.

Com as novas expertises, os veteranos desenvolvedores foram capacitados para serem mentores dos recém-chegados na casa. Essa movimentação permitiu à Supermedia alavancar o investimento na formação de pessoal. Os novos contratados "possuem habilidades básicas de desenvolvimento e algum conhecimento de desenvolvimento de aplicativos móveis – talvez não em escala comercial, mas eles já fizeram isso em um ambiente acadêmico, como um projeto", explica Dunn.
Atualmente, a Supermedia conta com dez especialistas que desenvolvem aplicativos móveis dentro do grupo de desenvolvimento de 150 pessoas. O quadro total de funcionários na TI soma 300.

Atualizando as habilidades
Se você é recém-graduado ou é um  profissional que está no meio da carreira, pode reunir o que é preciso para ser um desenvolvedor de aplicações móveis. Isso se você possuir certas qualificações específicas, de acordo com Dunn e outros especialistas do setor.

É preciso contar com amplo conhecimento em Java, HTML e habilidades técnicas em geral. Desenvolvedores que estão voltados para princípios de programação mais modernos e compreendem a interface do usuário e os padrões de projetos mobile terão vantagem.
Experiência em Application Programming Interface (APIs ou Interface de Programação de Aplicativos) específicas e interface de usuário toolkits nas principais plataformas móveis, como o Android, do Google, e o iOS, da Apple, ampliam ainda mais a vantagem – embora a falta dessa experiência não significa necessariamente que você não tem chance de se tornar um desenvolvedor de aplicações móveis bem-sucedido, dizem especialistas.
Um programador habilidoso deve ser capaz de se movimentar entre as linguagens com bastante facilidade, já que o desenvolvimento móvel envolve aprender uma nova sintaxe.
Além disso, é preciso entender como os usuários interagem com seus dispositivos e compreender a necessidade de oferecer funcionalidades de forma altamente segmentada.
"A maneira como as pessoas interagem com um laptop ou um desktop é diferente da forma como interagem com um dispositivo inteligente", diz Hap Aziz, diretor da Rasmussen College School of Technology and Design, que está entre as primeiras universidades a lançar um currículo com foco em design de aplicativos móveis e de programação.

"As pessoas que usam um dispositivo inteligente não pensam em si como usuários de computador, portanto, não se pode usar as mesmas convenções utilizadas no desenvolvimento de software para desktop, por exemplo. Menus drop-down e telas de ajuda elaborados simplesmente não funcionam em um dispositivo inteligente”, afirma Aziz.
Ainda assim, não é preciso ser um cientista para fazer a transição – apenas alguém com o compromisso de fazer o necessário para aprender novas tecnologias e dominar as convenções.
Voltar à universidade é uma opção, e, além de programas em tempo integral há inúmeros graduações e cursos certificados sobre os assuntos do momento, como HTML 5, programação orientada a objetos, Java e iOS e Android.

Depois disso, aprender fazendo é a melhor abordagem e é o caminho que a maior parte dos profissionais vem tomando, de acordo com Nick Dalton, proprietário da 360mind, consultoria especializada em desenvolvimento de aplicativos para dispositivos móveis.
Aspirantes a desenvolvedores de aplicativos móveis precisam mergulhar na plataforma – e isso significa entrar em contato com linguagens fora do PC por um tempo, explica Dalton. Eles precisam, prossegue, assumir um compromisso para fazer o máximo possível no ambiente móvel.
"Em um dispositivo menor que não tem muita memória e um processador menos potente, você tem de ser mais consciente de como está programando", diz Dalton. "Essas preocupações não podem vir da  teoria, e sim com a experiência."

Dalton, um veterano em TI com 25 anos de experiência no setor, passou grande parte da carreira como arquiteto Java projetando sistemas back-end e aplicativos voltados aos clientes em empresas como Nissan e Toyota.
Quando a primeira versão do iPhone foi lançada, Dalton publicou um e-book chamado 101 iPhone Tips and Tricks (iPhone 101 Dicas e Truques, em tradução livre) e aprendeu sozinho a entender o ambiente móvel.
Esse treinamento precoce e sua exposição no mercado, possibilitou a ele atuar como consultor quando a App Store, da Apple, foi lançada. Isso permitiu ainda que ele deixasse o mundo corporativo e abrisse a 360mind.

Hoje, a 360mind emprega cerca de 20 desenvolvedores de aplicativos móveis e não só constrói aplicativos corporativos para lojas iOS ou Android, mas ampliou horizontes. A companhia desenvolveu, por exemplo, um aplicativo para a rede fast-food Chipotle, que permitiu que clientes paguem refeições em seus telefones móveis.
Com as oportunidades para o desenvolvimento móveis crescendo, Dalton diz que fica uma mensagem para os desenvolvedores, arquitetos de sistemas e web designers: "Na economia atual, voltada para o outsourcing, você não pode ficar para trás e contar com habilidades ultrapassadas", afirma.
“Se você está vindo de um projeto de implementação de servidores, trabalhar nesses pequenos e autosuficientes projetos em torno de dispositivos móveis será muito divertido", finaliza.

Fonte:Beth Stackpole

Tags:,

About Desmonta&CIA

Somos um blog que busca informar aos apaixonados por tecnologia tudo sobre o mundo de TI.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: