Profissionais indispensáveis no time

Profissionais indispensáveis no timeAs tecnologias evoluem rapidamente e causam impacto direto na carreira dos profissionais de tecnologia da informação. As áreas de negócios passam a exigir alinhamento com as inovações. O cenário traz uma série de consequências: pressionados pelas expectativas, os gestores de TI precisam acertar na mosca em suas contratações. A equação é bem simples: se o departamento não contratar corretamente, não estará preparado para um futuro muito próximo.

Nos Estados Unidos, onde o futuro está ligeiramente mais próximo, os CIOs já experimentam significativas lacunas nas competências de suas equipes de trabalho. Uma pesquisa com 370 líderes de TI, realizada por um centro de pesquisas do Massachussets Institute of Technology  (MIT), em parceria com a revista CIO dos Estados Unidos, mostrou que 44% dos líderes disseram que falta experiência em colaboração na empresa, sendo que somente 8% apontaram que colaboração é uma habilidade formal da corporação. Além disso, 27% dos pesquisados não observam em suas empresas habilidades para avaliação do uso de smartphones, tablets e outras novas tecnologias.

De acordo com o CIO da companhia de seguros norte-americana Guardian Life, Frank Wander, os líderes de TI sempre tiveram, como qualidade, o poder de antecipação das tecnologias necessárias e de montar equipes para atender às demandas, “mas hoje, o esforço necessário para isso deve ser redobrado. As mudanças são muito velozes”, avalia.

No Brasil, esse quadro não é diferente em segmentos nos quais inovação é vital, como o financeiro ou de telecomunicações. De acordo com Lucas Toledo, gerente da divisão de TI da Michael Page Brasil, os perfis mais procurados do mercado podem ganhar entre 12 mil reais, nas áreas mais operacionais, a 18 mil reais, para aqueles com mais responsabilidades no trato com os negócios da empresa.

Quem são eles?
O mercado se aproxima de um ponto em que as métricas de TI não serão mais baseadas na forma como os sistemas são elaborados ou passam por manutenção.

“Elas irão abranger no futuro a desenvoltura com a qual os funcionários usam os sistemas para realizar negócios, a velocidade e a qualidade das decisões baseadas em soluções tecnológicas e a receita que as novas tecnologias geraram”, afirma Jeanne Ross, diretora e líder de pesquisas do MIT.

Jeanne considera muito difícil prever com exatidão a composição ideal dos departamentos de TI do futuro e que ainda não há uma fórmula vencedora, mas diz que alguns sinais apontam para quatro papéis centrais de profissionais que serão fundamentais em todas as corporações e que contarão com excelentes
oportunidades: especialistas híbridos em TI e negócios; gestores de serviços, principalmente computação em nuvem; peritos em manipulação de dados e análises de informações e projetistas e desenvolvedores de aplicações, que promovam integração entre mídia social, colaboração e tecnologias móveis.

Contar com esse mix de profissionais não será essencial somente para a implementação de novos sistemas. De acordo com o estrategista de tecnologia da consultoria Accenture, Gary Curtis, eles serão os futuros líderes das corporações. As empresas que conseguirem equacionar bem as presenças desses profissionais terão claros diferenciais competitivos e os profissionais com tais características possuirão carreira altamente promissora.

Sintonia com as redes sociais
Para atrair novas receitas, as corporações terão de reconstruir a TI para atingir clientes totalmente alinhados com Twitter e Facebook, entre outras mídias de interação, troca de informações e colaboração, que compõem as redes sociais. “Para isso, vão precisar de profissionais que além de dominarem essas tecnologias, entendam de conformidade e sistemas empresarias como o ERP”, afirma Jeanne.

Os profissionais que têm essa visão são os que poderão reformular os sistemas núcleo da empresa e transformá-los em aplicações seguras e disponíveis a partir de qualquer lugar, sem que, para isso, seja necessário interromper o fluxo de negócios.  Eles também serão capazes de elaborar maneiras mais adequadas de usar os conteúdos ou dados já existentes na corporação de forma mais lucrativa.

Segundo Toledo, da Michael Page, trata-se de um profissional muito difícil de ser encontrado, pois possui um conjunto de competências muito grande e complexo. Ele diz que nas áreas de negócios, os profissionais querem apertar botões e ter respostas instantâneas sobre questões que permeiam o seu dia a dia. Mas há a figura do desenvolvedor por trás, que entende profundamente os sistemas núcleo da corporação e de todas as disciplinas complexas, envolvidas nos processos de negócios, criando bibliotecas que vão ser a base dos sistemas.

O CIO da filial norte-americana da empresa automotiva Mazda, Jim DiMarzio, busca reorientar sua equipe, mudando o foco de profissionais já estabelecidos para tecnologias emergentes. Ajuda o fato de que a maioria dos profissionais da companhia já possui nível de pleno para sênior, além de a organização ter colocado boa parte das competências técnicas nas mãos de terceiros. ³Os funcionários internos são retrabalhados para modelar os projetos.Os terceiros preenchem as lacunas técnicas”, afirma.

Um dos exemplos de DiMarzio é o projeto de incorporar os telefones celulares nos sistemas do carro, com compartilhamento de informações por meio de sinais Bluetooth. Se o projeto acontecer e se mostrar viável, todos os intrincados códigos vão parar nas mãos de fábricas de softwares, mas os desenvolvedores internos vão projetar toda a arquitetura e o conjunto de inovações.

Em sua equipe, DiMarzio quer desenvolvedores de soluções móveis, não necessariamente com experiência na indústria automotiva. “Procuramos pessoas com boas ideias sobre como tirar vantagem das tecnologias móveis que já existem no mundo do varejo, já que varejistas são os pioneiros em adotar tecnologias antes focadas em consumidores, ligando-as aos seus sistemas legados”, completa.

Analista de negócios
TI alinhada aos objetivos de negócios. “A tendência criou um novo tipo de profissional híbrido, que sabe transitar facilmente entre funções de negócios e de tecnologia e é muito procurado dentro da empresa para a solução de problemas”, afirma o presidente da consultoria de formação de líderes de TI ICEX, Rick Swanborg, que também é professor na Boston University.

Para Curtis, da Accenture, profissionais híbridos são os mais indicados para fazer experimentações com os novos produtos do universo digital, incluindo a integração entre celulares e computadores dos carros que a Mazda busca. Na companhia automotiva, esses profissionais se reportam à área de TI, mas em muitas outras companhias isso não acontece.

Com o cenário, Swanborg prevê que os líderes de TI precisarão distribuir experiências entre unidades de negócios. Segundo ele, se no futuro não houver, nos diversos departamentos, alguém que entenda de tecnologia, como ela funciona e para que a empresa deve usá-la, esses departamentos perderão competitividade.

Para Toledo, no Brasil esse profissional costuma ser conhecido como analista de negócios e tem menos a ver com inovação e mais com aquele que entende tanto dos projetos de TI quanto dos de negócios, buscando atingir o tão desejado alinhamento entre tecnologia e negócios.

Descascador de abacaxis
Conhecido no Brasil como “descascador de abacaxis”, o gestor de fornecedores na área de TI ganhou extrema importância com as novas ofertas de computação em nuvem, software como serviço e outros tipos de atividades de TI terceirizadas. Hoje, os líderes de TI lidam com um grande rol de fornecedores e provedores de serviços, sendo que nenhum deles pode ter uma visão completa sobre o que a empresa quer alcançar em tecnologia.

Nesse ambiente, habilidade de negociação e experiência em relações pessoais são duas competências que podem ajudar a empresa a ganhar tempo e a economizar dinheiro. Mas o gestor de fornecedores também tem o papel de extrair mais criatividade e serviços úteis dos fornecedores. E isso requer um novo nível de relacionamento, além da abordagem comum que envolve camadas de serviços.

Segundo o vice-presidente e analista da Forrester Research, Mark Cecere, os gestores modernos tomam uma visão mais ampla, observado o desempenho combinado de todos os fornecedores. “Eles podem pedir aos fornecedores que trabalhem em conjunto para acelerar o tempo de resposta de aplicações, por exemplo, o que vai aprimorar a satisfação na empresa e gerar mais vendas.”

Jeanne acredita que a tendência é esses novos profissionais assumirem as responsabilidades também por experimentos estratégicos. A área de TI, por exemplo, teme grandes testes por receio de afetar o ambiente de produção. O gestor de fornecedores pode negociar testes em grandes fornecedores de computação em nuvem, em situações próximas da real, sem afetar em nada o desempenho dos sistemas operantes na empresa. E negociação é necessária para criar um ambiente ideal.

Segundo Swanborg, o “descascador de abacaxis” deve possuir, além de tudo, conhecimentos sobre legislação. Cecere diz que as habilidades de comunicação são essenciais. Competências persuasivas são críticas, porque o profissional terá de lidar também com desafios internos. “Ele precisa convencer os líderes de negócios a priorizar e se comprometer com o que a área de TI está produzindo para eles. Isso é muito difícil”, aponta.

O CIO da empresa de aluguel de carros Cars.com, William Swislow, está em busca de gestores de fornecedores de serviços. Segundo ele, uma das metas é reduzir a vulnerabilidade da empresa diante dos diversos fornecedores. “Precisamos de gestores fortes que se relacionem bem com os companheiros de empresa e não deixar a contratação desavisada de serviços cair em ambientes judiciais”, relata.

Experts em dados
Graças à web, às redes sem fio e à computação empresarial, a humanidade já gerou cerca de 295 exabytes de dados, de acordo com pesquisa publicada pelo renomado periódico Science, dos Estados Unidos. Mas as companhias não conseguem lidar com sequer um exabyte de dados, medida que equivale a 1 bilhão de gigabytes. Não dá para negar que se trata de um problema para as empresas resolverem.

Todas as organizações possuem profissionais que sabem configurar bancos de dados e planilhas de dados, com suas estruturas definidas. Mas hoje, a maior parte dos dados corporativos não está estruturada, distribuída em e-mails, vídeos, apresentações, mensagens instantâneas, imagens, diagramas, conversas em redes sociais etc. Eles podem estar dentro ou fora da corporação, complicando a já difícil tarefa do profissional responsável pelos dados.

O desafio duplo é gerenciar e interpretar os dados, algo que requer profissionais com conhecimentos profundos em projetos de sistemas de Business Intelligence (BI) e sistemas de análise de dados. São pessoas que precisam lutar com montanhas de informações que estão na empresa e nos sistemas de dados dos fornecedores, apoiando a criação de aplicações e ferramentas para extrair inteligência.

Segundo Toledo, esse profissional, no Brasil conhecido como DBA, hoje é muito solicitado para a extração de informações específicas dos bancos de dados, de acordo com necessidades de negócios. “Os melhores profissionais da área conseguem melhorar o desempenho da companhia, reduzir o custo operacional e a velocidade de resposta com que os sistemas atendem à área de negócios. É um perfil tão difícil de ser encontrado que grandes empresas já procuram gente fora do País para fazer isso”, conclui.

Quanto ganham os profissionais mais procurados?

De acordo com a Michael Page Brasil:DBA, até 12 mil reais (podendo chegar a 15 mil reais, se for o profissional de ponta no mercado),gestor de fornecedores e contratos, até 16 mil reais e desenvolvedor do núcleo dos sistemas, até 12 mil reais (pode chegar an18 mil reais no nível de desenvolvimento de arquitetura), e analista de negócios, até 18 mil reais.

Fonte:Kim S. Nash, da CIO – EUA

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