Soluções de TI já apoiam processos produtivos sustentáveis

TI Sustentavel Além da própria TI verde, sistemas são empregados pelas empresas em ações de combate às mudanças climáticas.

Atecnologia da informação é apontada por muitos especialistas como setor estratégico para apoiar a reformulação de processos produtivos, em bases mais sustentáveis. Para além dos trabalhos das empresas para dar uma destinação adequada a seus resíduos eletrônicos e cortar emissões de Gases Efeito Estufa (GEE), o mercado de TI oferece soluções de software capazes de monitorar o consumo das máquinas, de verificar se os roteiros das frotas são os mais indicados para o menor gasto de combustível, ou para acompanhar as implicações ambientais desde a criação de um produto. Do seu desenvolvimento até a entrega, passando por engenharia e embalagem, há software para conferir se todas as etapas na manufatura ou na prestação de serviços estão aderentes a padrões de sustentabilidade.

À frente dos serviços de computação em nuvem da IBM Brasil, Roberto Diniz afirma que o custo da energia elétrica industrial mais do que dobrou entre os anos 2000 e 2008: de R$ 108,5 por Megawatt/hora para R$ 248,00 por Mw/h. “E o da residencial triplicou”, diz. “Quem administra TI tem que saber quanto vai gastar de energia com determinada configuração de computadores.” Razão por que, nos últimos dois, três anos, ele afi rma que várias licitações públicas têm requisitado a indicação do consumo médio dos equipamentos.

O que o setor de TI faz atualmente para reduzir o gasto com energia? Para Diniz, além de investir nas técnicas de virtualização — um poderoso caminho para a economia –, projeta chips mais efi cientes e arquiteturas mais inteligentes, no sistema operacional e no middleware (na gerência de serviços, por exemplo, com a família Tivoli, no caso da IBM), que assegurem processo rentáveis, econômicos e racionais. Segundo Diniz, um servidor não virtualizado tem taxa de utilização da ordem de 5% de sua capacidade. Depois da virtualização, esse índice vai a 25%, em arquitetura x86; ou, em ambientes Unix, da família Power, a 50% até 70%; e, nos mainframes, a 90%.

No mundo do software, as principais iniciativas estão nos aplicativos para operações a distância (teletrabalho) e no incremento das ferramentas de gestão, agora configuradas com parâmetros ambientais.

No caso da Microsoft, a diretora de comunicação corporativa e cidadania, Priscilla Cortezze, informa que a empresa segue três principais diretrizes: busca produtos que reduzam emissões no cliente fi nal; pesquisa e desenvolvimento para gerar tecnologias de menor consumo; e diminuição do impacto da sua própria operação. Os sistemas buscam, diz ela, ajudar as empresas a economizar energia e a promover o home office. Priscilla destaca o HyperV, para virtualização; o Share Point, integrado ao Office, para construir portais colaborativos na internet, mas fechados ao acesso externo; e o Lync, lançado neste mês como sucessor do Unifty Communicator. Reúne comunicação por e-mail, mensagens instantâneas e conferências de voz e vídeo online, para cortar gastos com telefonemas, viagens e instalações de escritório.

Na área de P&D, a executiva da Microsoft diz que estão sendo feitos estudos com parceiros para que o software, rodando no dispositivo móvel ou no computador, consuma menos. E a empresa mantém um Comitê de Sustentabilidade Ambiental, responsável por analisar trimestralmente o progresso dos programas internos de sustentabilidade e definir metas globais. Em março de 2009, a Microsoft assinou compromisso de reduzir até 2012 30% das emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) registradas em 2007, ou 938.508 toneladas de carbono equivalente.

Na SAP, a meta é cortar até 2020 metade dos GEE emitidos em 2007 (513 mil toneladas) e recuar aos níveis do ano 2000, ou cerca de 250 mil toneladas. Segundo o vice-presidente de sustentabilidade da SAP, Silmar El-Beck, o processo está adiantado. Em 2009, reduziram 15%, com menor uso de papel (22%); menos viagens aéreas (25%); adoção de energias renováveis (40%), e menor consumo de energia (7%). “Isso tudo representou uma economia de 118 milhões de dólares para a empresa.”

Na opinião do executivo, é importante que os clientes aprendam a fazer a gestão inteligente dos níveis de energia nos data centers, quando estiverem rodando sistemas SAP. Para isso, a empresa tem conduzido benchmarks em usuários no Brasil e no exterior, de modo a estabelecer valores de referência para o que seria um consumo razoável com as suas soluções.

Entre os setores mais preocupados com a sustentabilidade, ele cita o siderúrgico e o de papel e celulose. A solução de BI SAP Business Objects Sustainability Performance Management é voltada ao acompanhamento do desempenho nessa área: defi nição de metas e gerenciamento de riscos. Seu propósito é ajudar no corte de gastos e custos na coleta e compilação de dados e relatórios ambientais. O software é certifi cado pela Global Report Initiative (GRI), ONG que responde por um dos padrões mais aceitos mundialmente para medição de pegada de carbono.

O outro produto SAP, o EHSM (Environmental, Health and Safety Management), é voltado ao redesenho de processos, com ferramentas para gerenciamento de informações com base nos riscos potenciais associados à operação, ambientais e à saúde. Já o SAP Carbon Impact é vendido na modalidade SaaS (como um serviço), específi co para controle de emissões de GEE e da geração de resíduos em todas as etapas da cadeia produtiva.

No rastro do boi

A Oracle tem uma das mais amplas carteiras de produtos aplicáveis a processos sustentáveis, resultado, em parte, das muitas aquisições de empresas feitas nos últimos dois anos. O vice-presidente da unidade de indústrias da América Latina, André Papaleo, explica que, nos sistemas de gestão, por exemplo, as funcionalidades para melhorar o aproveitamento das linhas de manufatura (lean manufacturer), antes, buscavam redução de materiais, tempo de set up, etc.; agora, trabalham com o tipo e a quantidade de energia consumida, ou com o impacto gerado pela escolha do insumo e do combustível. “O software de ‘lean manufacturer’ não tem nada de novo, mas está sendo usado por empresas que buscam essa economia de forma mais consciente.”

A “rastreabilidade” também ganha importância como camada de serviços dentro do software de gestão de manufatura, diz ele. Vale para identificar a origem dos produtos, e é adotado, entre outros, pelo Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), banco de dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Dá para saber de onde vem o boi, que vacinas tomou, etc.” Futuramente, Papaleo acredita que será possível mirar um bife com a câmara do celular e descobrir, no Google Earth, se o boi veio de pastos legais ou de áreas destinadas à preservação.

Ele observa, ainda, que as indústrias começam a levar a sério esses aspectos na própria concepção e desenho do produto. A solução da Oracle para essa etapa é o Product Lifecycle Manager (PLM), dedicado à gestão do ciclo de lançamento. Sadia, Perdigão, fabricantes de eletrodomésticos da linha branca, de televisão, entre outros, estariam preocupados com as embalagens, que ganham informações cada vez mais detalhadas, relacionadas ao controle social dos produtos (se contêm transgênicos, origem das matérias-primas, selos ambientais, de reciclagem, etc.).

Finalmente, para a gestão de logística, que tem refl exo direto em economia de combustível, o Oracle Transportation Management (OTM) trabalha com malhas complexas e multimodais.

Matemática dos rios

Outra forma de relacionar TI e meio ambiente é o uso das tecnologias para desenvolver aplicações para os computadores que melhorem a vida nas cidades e deem aproveitamento mais efetivo aos recursos, no conceito de “smart cities”. A porta-voz da empresa para questões ligadas à cidadania, Ruth Harada, cita um projeto que está sendo conduzido com a organização The Nature Conservancy (TNC), envolvendo estudo sobre bacias e rios. O objetivo é criar um modelo matemático para prever o que vai acontecer com os ecossistemas após a construção de uma barragem ou de outras intervenções. O primeiro piloto será no rio Paraná. Depois, a ideia é replicá-lo no Mississipi, nos Estados Unidos, e no Yang-Tsé, na China. Participam da iniciativa a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Mato Grosso e a Agência Nacional de Águas.

 

Fonte:Verônica Couto

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One response to “Soluções de TI já apoiam processos produtivos sustentáveis”

  1. Guilherme Lopes says :

    O “pensamento verde” se torna cada vez mais presente no desenvolvimento de novos aplicativos e sistemas.

    Só o fato de desenvolver softwares mais inteligentes e com menor solicitação de processamento por parte dos servidores, já é um ganho na diminuição de gasto em energia.

    Parabéns pelo post.

    Abraços,

    Guilherme Lopes
    Analista de Sistemas

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