Copa do Mundo faz Brasil acelerar implantação de 4G

4g Anatel planeja leilão das licenças em 2011 para que novas redes entrem em operação em 2013, um ano antes do megaevento esportivo.

As primeiras redes de quarta geração de telefonia celular (4G) baseadas no padrão Long Term Evolution (LTE) precisam entrar em operação no Brasil até 2013. A necessidade de as operadoras terem de investir na nova tecnologia para lançar esse serviço dentro de aproximadamente três anos é para atender ao cronograma da Copa do Mundo que será sediada no País em 2014. O megaevento de futebol e a Olimpíada de 2016 atrairão visitantes de diversas partes do planeta, ávidos por acessar grandes volumes de dados, que exigirão banda larga móvel com velocidade superior ao permitido na 3G.

Para que as operadoras comecem a projetar a evolução das redes atuais para 4G com antecedência, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) planeja antecipar a licitação das licenças para prestação do novo serviço. A conselheira da Anatel, Emília Ribeiro, afirma que a expectativa do órgão regulador é realizar o leilão em 2011 para que as redes entrem em funcionamento pelo menos um ano antes d0 mundial.

 

“O objetivo é viabilizar a oferta dos serviços de 4G antes da Copa do Mundo”, informa Emília Ribeiro, lembrando que, inicialmente, a previsão era de que o leilão só ocorresse em fevereiro de 2012. O edital sobre a licitação deverá estar pronto até novembro e, segundo a conselheira, poderá entrar em consulta pública ainda em 2010. Ela afirma que a agência quer acelerar o processo a fim de que o pregão para vendas das faixas de frequência de 2,5 MHz seja lançado no primeiro semestre do próximo ano.

A faixa de 2,5 MHz é considerada a mais indicada para 4G baseada em LTE, novo padrão que será adotado pelas operadoras de celular na evolução das  redes 3G para aumentar a capacidade de transmissão de dados. A nova tecnologia permite ofertar banda larga com velocidades acima de 200 Mbps. Bem superior, portanto, aos 14,4 Mbps permitidos pelos serviços de High Speed Downlink Packet Access (HSDPA).

Os serviços 4G podem ser prestados com outras tecnologias como o WiMax, mas o padrão que vem ganhando maior adesão por parte das prestadoras de serviços de celular é o LTE. De acordo com a 4G Americas, até agosto de 2010, mais de 125 operadoras testaram projetos com essa plataforma em cerca de 50 países dos cinco continentes.

Entre essas empresas, quatro delas lançaram serviços comerciais: a TeliaSonera (Suécia/Finlândia), a Ucell (Usbequistão), a MTS (Usbequistão) e a MetroPC (Estados Unidos). Verizon Wireless e AT&T, ambas dos Estados Unidos, estimam lançar LTE comercial até o final de 2010. Outras 85 empresas planejam pilotos, e o número de redes comerciais deverá passar de 200 nos próximos anos, informa a associação.

De acordo com o diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas, Erasmo Rojas, a decisão de o Brasil antecipar o leilão das frequências para 4G traz vantagens por poder começar os projetos de LTE com outros mercados. É uma situação diferente da 3G, quando o País demorou mais em comparação com a Europa a sair do mundo analógico para o digital.

Ao avaliar o potencial do mercado brasileiro para 4G, Rojas acha que as quatro operadoras móveis (Vivo/Telefônica, TIM, Claro e Oi) vão investir em licenças de 2,5 MHz para melhorar o tráfego da banda larga móvel e ampliar a receita com aplicações de dados. Ele destaca que a nova infraestrutura, por ser 100% IP,  possibilitará uma série de serviços para os mercados corporativo e doméstico, como conexões de carros com o escritório e residências. Os novos serviços prometem ofertas de machine to machine, ou seja, automação de sistemas que vão conversar entre si.

Será possível também fazer monitoramento de segurança pelo celular, algo que as redes 3G não permitem pela limitação para transmissão de dados de vídeo em tempo real sem delay. Mesmo com essas vantagens, Rojas afirma que os projetos de 4G serão pontuais e vão cobrir apenas grandes cidades e praças que têm potencial para compra das aplicações.

Para a estreia dos serviços na Copa do Mundo, os locais que devem ser considerados prioritários pelas operadoras para cobertura de 4G são as 11 cidades que serão sede dos jogos (Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo), os aeroportos e regiões próximas dos estádios.

As novas redes permitem aproveitar alguns dispositivos da infraestrutura existente, mas exigem investimentos para a construção de uma rede nova. O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, lembra que as operadoras ainda estão colocando dinheiro na ampliação das redes 3G, que estão quase ultrapassando a banda larga fixa, mas ainda não cobrem o Brasil. Entretanto, ele acha que as primeiras que vão aderir ao 4G são as operadoras em condições mais favoráveis para compra de novas tecnologias, como é o caso da Claro e da Vivo. Esta última passou para as mãos da Telefônica, que demonstrou ter dinheiro em caixa e apetite para reforçar sua operação no Brasil. A empresa espanhola fez um teste de LTE com seis fornecedores:  Alcatel-Lucent, Ericsson, Nokia Siemens, NEC, Huawei e ZTE. Cada companhia montou uma rede 4G e o piloto abrangeu outros países fora da Europa, estendendo-se também para a América Latina, com avaliação da tecnologia no Brasil e na Argentina.

A dúvida de Tude é se TIM e Oi terão músculos para comprar novas licenças. Ele avalia a situação da Oi, que fechou o cofre depois do desembolso que fez para adquirir a Brasil Telecom. “O que se espera é que, com a entrada da Portugal Telecom em seu controle, a operadora invista no mesmo nível das demais”, afirma o consultor.

Oportunidade para a indústria

A chegada de 4G abre novas oportunidades de negócios às fornecedoras de infraestrutura para telecomunicações. Elas já se mobilizam  para disputar os novos contratos. Alguns fornecedores começam a montar equipes, no Brasil, especializadas em LTE para prestar consultoria na compra das licenças de 2,5 MHz, ajudá-las no desenvolvimento de planos de negócios e na apresentação de projetos internacionais, dos quais participam. É o caso da Nokia Simens, que há cerca de dois anos alerta o mercado para o estrangulamento do espectro de 3G.

“Os grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, têm alta demanda por serviços de dados e não vão suportar uma Copa do Mundo sem 4G”, adverte o líder de tecnologia da Nokia Siemens para a América Latina, Wilson Cardoso. Ele avisa que no final de 2011 algumas operadoras poderão enfrentar problemas com a rede 3G por falta de espectro para largura de banda.

O executivo considera viável o prazo de três anos dado pela Anatel para a entrada em operação das redes LTE no Brasil. Segundo ele, as implementações são rápidas por permitir aproveitar alguns dispositivos de 3G, mas os investimentos serão iguais aos aplicados nas redes atuais. “As empresas vão ganhar com a redução do operating expenditure (Opex), ou custo operacional, que deverá ser cerca de 25% mais baixo”, calcula Cardoso.

Para conquistar projetos no Brasil, a Nokia Siemens aposta na experiência que adquiriu nos projetos realizados no mercado internacional, sendo que um deles foi a implantação da rede da LightSquared, dos Estados Unidos, que entrará em operação em 2011. O contrato foi avaliado em 7 bilhões de dólares.

Estratégia similar será adotada pela Alcatel-Lucent, que participa da implantação de uma das maiores redes LTE, a da Verizon Wireless, dos Estados Unidos, prevista para entrar em operação comercial até o final deste ano. O projeto abrange uma cobertura de 38 áreas metropolitanas com potencial para atrair 110 milhões de pessoas.

Para o gerente de produtos wireless da Alcatel-Lucent, Roberto Falsarella, as redes LTE vêm com a proposta de aumentar a receita por usuário pela gama variada de novos serviços que a tecnologia permitirá. “Todas as aplicações IP da web poderão migrar para 4G. Apple e Google podem ir para esse mundo novo”, explica o executivo. Um exemplo são os jogos online com grupo de pessoas.

Terminais compatíveis

Inicialmente, as operadoras vão incentivar o acesso das redes 4G por meio de modem, como foi com as de 3G. Essa é a estratégia que operadoras como Verizon Wireless e outras prestadoras de serviços dos Estados Unidos, Europa e Ásia pretendem adotar. No Brasil, a situação não será diferente.Segundo o diretor sênior de relações governamentais da Qualcomm Brasil, Francisco Giacomini Soares, é uma medida para testar a adoção dos serviços antes da produção de terminais.

A Qualcomm fechou acordo com diversos fabricantes para a fabricação de chipset para LTE, e os primeiros celulares compatíveis para 4G estão previstos para chegar ao mercado em 2011. “No momento, não há necessidade de terminais, não há escala. Acho que a demanda acontecerá mesmo em 2013”, acredita Soares.

Apesar de os primeiros acessos serem via modem, alguns especialistas acreditam que a 4G vai fazer com que alguns troquem a banda larga fixa pela móvel. O consultor Tude acha que um não substitui o outro. Esse é o mesmo debate que acontece sobre 3G, serviço que os especialistas estimam que tem vida longa.

Fonte: Desmonta&CIA

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