Qual é a estratégia da Microsoft para cloud computing?

mscloud Bob Muglia, diretor de produtos corporativos da Microsoft, revela como a organização pretende atuar nesse mercado, tão diferente para a empresa.

Em entrevista concedida ao editor chefe de conteúdo corporativo do IDC, John Gallant e ao editor chefe da InfoWorld.com, Bob Muglia, responsável por comandar as estratégias da divisão de Servidores e de Ferramentas da Microsoft, revela as intenções da empresa nessa corrida rumo a computação em nuvem.

De que forma você vê a migração dos clientes para a computação em nuvem?

É importante enxergar a nuvem como meio para entrega de serviços que os clientes necessitam. A nuvem acontece em estágios no meio dos processos de trabalho. Em algumas versões, progride de forma bastante acelerada, como é caso de e-mails colaborativos.

A aceitação do tema também cresce entre nossos clientes. Quase todos declaram ter interesse no assunto e estar migrando para a nuvem. Os principais motivos são satisfação com a velocidade que adquirem em determinados processos comerciais suportados por ferramentas online. E nós ajudamos os clientes nesse processo de migração para o ambiente de nuvem.

Os poréns também são diversos. Com argumentos embasados em incerteza e em alinhamento com as políticas e regulamentações, ainda existem clientes que avaliam, mas desistem da ideia. O que não significa que o assunto não seja comentado diariamente.

O CRM deverá ser o próximo tipo de processos a rumar para as nuvens. Os motivos para isso são diversos. A mão de obra costuma estar espalhada por regiões geográficas distintas.

No começo, a nuvem demanda infraestrutura muito robusta, mas somente na fase inicial. Falo em rotinas de emulação e de modelagem. A maioria das soluções na nuvem são feitas sob medida, nada a ver com e-mails. Mas isso não significa que não sejam perfeitamente adaptáveis para a nuvem.

De que forma a MS auxilia os clientes nessa migração?

Provemos uma interface de comunicação constituída por plataformas como o SharePoint e o Exchange. A MS está capacitada a mover clientes de suas estruturas locais para a nuvem. Por isso também auxiliamos na migração de outros ambientes para a cloud. Há casos de organizações que vêm de plataformas como o Notes, de custo proprietário elevado. Para ser honesto, elevado demais em comparação com o Exchange. A economia gerada pela migração de uma plataforma local Notes para as soluções Exchange na nuvem é mais do que suficiente para justificar essa manobra. Também não medimos esforços para encontrar a solução ideal de empresas que queiram levar seus aplicativos próprios até a nuvem.

Como a Microsoft define nuvem privada?

Esse é um dos maiores motivos de discussões. É importante esclarecer para a indústria sobre o fato de a nuvem ser, essencialmente, a prestação de serviços em forma de software. Depois disso, cabe avaliar se a melhor maneira é contratar servidores exclusivos. Na minha percepção a nuvem privada é um ambiente abastecido por um servidor local a partir de seu próprio data center e dedicado 100% ao seu negócio. Do outro lado estão as nuvens públicas. Neste modelo, a estrutura é compartilhada entre vários clientes. O Windows Azure é um bom exemplo disso.

Onde acha que os executivos de TI erram no processo de migração para a nuvem?

Eles devem entender melhor qual é a real necessidade deles. Esse problema é universal. Não dá para dizer a todos os clientes que eles devem migrar imediatamente para a nuvem. Às vezes a nuvem não é a solução ideal. Aconselho que avaliem essa possibilidade, principalmente no que se refere às cargas de trabalho geradas por processos de comunicação.

Quando se trata de aplicativos comerciais, encontramos clientes em diferentes estágios de evolução e de adoção. Há aqueles que são bastante agressivos e buscam por soluções que possam ser jogadas na nuvem por padrão. Outros preferem fazer suas próprias nuvens privadas.

Sugiro que cada empresa migre com um único aplicativo para o Windows Azure. Recentemente conversei com uma instituição financeira que rodava mais de 4.500 aplicativos. Deixei claro que deveriam escolher um dos aplicativos para rodar a partir da nuvem, a despeito de várias questões regulatórias e do tamanho da responsabilidade intrínsecas a uma manobra desse tipo, ainda é um passo que deva ser dado.

De que maneira a questão de licenças altera o modelo de nuvem?

O modelo adotado na nuvem é baseado em assinaturas, com estrutura de pagamentos contínua. O que é óbvio, visto que  você está prestando um serviço ao cliente. É por exemplo, o caso de soluções CRM. Acontece que nem sempre os consumidores se decidem por esse modelo. Eles preferem comprar as licenças, o que não elimina o pagamento on demand. Existem variações no modelo de negócios. É óbvio que uma das implicações consiste no tipo de nuvem para qual se migra.

Mas a mudança mais significativa a afetar os clientes no que tange ao custo não tem nada a ver com as licenças. Trata-se de custo geral das operações. A promessa das nuvens é a possibilidade de rodar vários softwares e em cargas de trabalho violentas para entregar serviços padronizados aos consumidores. É aí que acontece a real diminuição de custo.

A maioria de nosso clientes tem entre 50 e 100 servidores rodando sob supervisão de cada administrador. Em casos extremos, esse número chega a 400 servidores por profissional. Se deixarem essa administração por nossa conta, vamos mostrar algo que as organizações jamais viram em termos de preço.

Sobre isso tenho duas perguntas a fazer. Você acredita que os clientes têm noção da gestão de seus orçamentos, antes baseados em ciclos e atualizações e, agora, indo para o modelo de assinatura? Acha que os clientes entendem as implicações de uma mudança tão profunda e de longo prazo?

Sim. Acho também que adoram essa ideia. Tudo que ainda  falta a eles, nesse momento, é preparo. Percebi isso enquanto visitei um evento que reuniu CIOs de 100 empresas líderes dos EUA. Era um evento daqueles em você é submetido ao falatório de mais de 20 fornecedores diferentes. Parecia uma endodontia sem anestesia. Em determinado momento, um dos CIOs me disse que a MS não estava entendendo direito como lidar com os clientes. “Nós não queremos novos softwares de vocês” dizia, “queremos apenas os recursos. Mas o que vocês fazem é transferir toda a carga de investimentos, referentes ao desenvolvimento dos aplicativos, para nós”. É nessa hora que vejo no SaaS (software as a servisse ou software como serviços, em tradução livre do inglês) a solução para esse tipo de dilema. Com base no SaaS conseguimos agregar valor ao negócio em vez de torna-lo simplesmente mais caro.

Sobre riscos associados você tem algo a dizer? Com o passar do tempo a computação em nuvem pode custar mais caro que outras soluções?

Esse risco potencial sempre existe. Certamente haverá casos assim. Mas, como existe uma mudança de foco, no qual a empresa pode se concentrar exclusivamente naquilo que faz melhor, haverá também um salto qualitativo na prestação de serviços e os clientes poderão escolher entre as organizações que tiverem portfólios mais atraentes.

Haverá problemas e, também, falhas. Essas coisas sempre existiram na história da TI em que novas tecnologias são introduzidas, ao passo que causam um tremendo avanço que há de se espelhar no resultado geral de forma positiva.

Voltando à questão do licenciamento. De que forma a MS se prepara para lidar com isso? Normalmente, vocês lançavam novos produtos com mais recursos e era daí que extraiam sua receita. Essas melhoras de agora em diante devem vir acopladas às assinaturas.

Na verdade amamos esse modelo de negócios. Sempre fomos concorrentes diretos de nossos produtos mais antigos. Um exemplo disso é o Windows XP, que ainda está rodando em várias máquinas. O caso do Office 2003 e da versão 2007 é igual. A nuvem irá eliminar essa circunstância à medida que nós conduzirmos os processos de atualização. Vamos fornecer produtos sempre muito atuais.

Nos comprometemos em manter o software dos clientes – e esse é um grande diferencial na Microsoft. A nossa organização, aliás, é uma das principais beneficiadas nesse modelo. O departamento comercial da Microsoft passa horas explicando para os potenciais clientes as vantagens intrínsecas a cada pacote ou versão mais nova dos produtos.

Nossos leitores são bastante preocupados as questões de segurança e de gestão relativas à nuvem. O que a MS faz para dar conta dessas questões?

Investimos muito em pesquisa sobre isso. Cada um desses pontos merece uma explicação.

No que se refere à gestão, sentimos que os benefícios da nuvem se dão na forma que o ambiente de gestão é modificado. Logo, existem determinadas vantagens na perspectiva dos gestores. Por exemplo, os clientes poderão usar ferramentas de gestão próprias, com o System Center, para dar conta de processos em que a computação em nuvem está inserida.

No referente à segurança, optamos por um modelo diferente. Ao partilhar um ambiente, com o que acontece nas nuvens públicas, existe uma demanda maior por recursos de segurança adicionais. Como a nuvem ainda está em desenvolvimento, existem diversos aplicativos que definitivamente não estão, ainda, aptos a migrar para as nuvens. Não recomendamos, por exemplo, que instituições financeiras levem seus aplicativos principais para esse ambiente. Mas em cinco ou dez anos, aí sim, teremos uma nuvem segura suficiente para esse tipo de aplicação.

Para a vasta maioria dos aplicativos que rodam a partir da nuvem, como acontece com plataformas de comunicação, já conseguimos prover a segurança que o cliente necessita. Existem diferenças regulatórias de acordo com o país em que se atua e em diferentes ramos, como o farmacêutico e o financeiro – que são mais regulamentados.

A nuvem é um ambiente misto, não é? Há uma diversidade grande de nuvens. O que a MS faz para manter a interoperabilidade de plataformas e auxiliar os clientes na ligação entre elas?

Sem dúvida existem padrões que surgem e alguns deles serão os principais, mas ainda não é fácil definir quais serão os realmente importantes. Acredito que, em algum tempo, os clientes perceberão que a principal característica desejada na nuvem é sua capacidade de se comunicar com as plataformas mais relevantes. Isso vai forçar a escolha de um fornecedor. Nós investimos pesado em proporcionar essa flexibilidade aos clientes.

Por hora, todos os serviços de cloud que oferecemos são baseados no padrão da internet. Em serviços web ou baseados no protocolo REST, algo bastante exclusivo. No processo de desenvolvimento da computação em nuvem Microsoft, usamos esse protocolo como padrão. Acho que as únicas aplicações que não se enquadram nisso são comunicação e plataformas colaborativas, em que não existe nenhum protocolo referência. Se for citar um protocolo padrão para essas plataformas, diria que é o ActiveSync, do qual a MS é detentora da licença. Todos os provedores de email o usam para dar conta dos serviços de entrega de mensagens. iPhone, Google e todos os outros usam o ActiveSync. Existem, também, os protocolos que desenvolvemos e colocamos à disposição do público. O Azure é todo baseado no protocolo REST, o que faz dele algo flexível.

Outro fator relevante é que o cliente deve ter liberdade de escolha do provedor de cloud. Muitos não querem estar presos ao Google ou Microsoft. Então, o Azure é feito de maneira a poder ser integrado em várias plataformas de diferentes provedores. Os clientes têm milhares de motivos para querer provedores distintos.

Por falar em Google, que lição acha que as pessoas devem tirar do caso da cidade de Los Angeles e o Google Apps?

Pergunta difícil essa. A cidade é um indicador de quão complicado é o ambiente corporativo. É , também, um exemplo da diferenças fundamentais que a MS apresenta nesse mercado. Somos a única organização com mais de 20 anos de experiência no atendimento de clientes corporativos. Se comprara com as outras empresas, como a Oracle, a IBM e VMware, vai perceber que as soluções deles você tem de gerenciar sozinho.

A IBM pode ter 20 anos de existência, o Google oferece vários serviços para corporações, mas nenhum deles tem know how de negócios comparável ao nosso.

Isso, acho, ficaevidente quando o cliente entende que seu parceiro não compreende bem a complexidade do atendimento desse segmento. Sempre que nós entregamos uma solução de computação em nuvem, temos uma equipe de engenheiros disponíveis para sanar eventuais problemas. Não consigo imaginar um provedor de cloud computing sem esses serviços. Esse time de suporte vai absorver conhecimentos sobre como é a rotina de funcionamento dos clientes corporativos.

O Google pode oferecer isso e a Amazon deveria fazê-lo, então eles até conhecem os clientes, mas não têm intimidade com o negócio das companhias. Não fazem ideia do ciclo de vida dos aplicativos. Ocorre que as empresas fornecedoras publicam pacotes novos e os clientes escrevem aplicativos para essas atualizações. Na sequência, o provedor informa que irá modificar completamente a API na próxima versão. No final das contas, o cliente fez investimentos que não vão se pagar.

Aprendemos quais são as expectativas dos clientes e é o equilíbrio entre nossa experiência de pessoal técnico e como se dá a aplicação dessas soluções em grande escala que nos qualifica mais para atender clientes corporativos.

Fonte: Desmonta&CIA

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