Aplicações feitas sob medida para o seu desktop

Sei o que estão pensando: “esse cara vai nos mostrar mais uma daquelas ‘listinhas’ de softwares livres básicos para usarmos em nossos desktops…”. Infelizmente estão enganados. Mesmo! Ao invés de criar mais um artigo desses (que são bons por sinal, mas repetitivos e para lá de batidos), a abordagem deste será diferenciada: falaremos sobre as características e qualidades que tornam tais aplicativos a opção sob medida para o seu desktop.

O que softwares consagrados como o Microsoft Office, CorelDRAW, PhotoShop, Pagemaker, DreamWeaver, entre outros, possuem em comum (além de serem proprietários)? Se alguém disse “riqueza de recursos, facilidades e muitas funcionalidades à disposição”, exato! Porém, para aqueles que usam ou já usaram tais softwares, faço-lhes outra pergunta: vocês utilizam TODOS os recursos disponíveis por tais softwares?

Isto é um fato: a maioria esmagadora dos usuários não utilizam todos os recursos disponibilizados pelos softwares proprietários que acabei de citar; os poucos que fazem, normalmente são usuários avançados e/ou que possuem necessidades muito específicas. E no entanto, ainda assim preferem utilizá-los ao invés de optar pelos seus equivalentes livres. Vem então outra pergunta em mente: para ter aqueles recursos essenciais e mais utilizados, não bastaria adotar as melhores aplicações livres? Se sim, porquê não o fazem?

No geral, as principais aplicações livres como o OpenOffice.org, Inkscape, GIMP, Scribus, KompoZer, Brasero, entre outros, não implementam todas as funcionalidades encontradas em comparação as suas equivalentes proprietárias. Porém, eles continuam sendo perfeitos substitutos para as opções proprietárias conhecidas, tendo inclusive outras vantagens interessantes, como o alto desempenho (se tem menos recursos, requerem menos carga de processamento) e a gratuidade. E além destas vantagens – que por si só são motivos mais que suficientes para adotá-los – quais são outras qualidades que merecem destaque?

Softwares proprietários são tradicionalmente softwares pagos. E softwares – seja qual for a modalidade de licenciamento – necessitam receber atualizações de tempos em tempos. Só que, diferentemente das alternativas livres, os proprietários necessitam que sejam agregados importantes diferenciais em comparação com as versões anteriores. Só assim, justificariam o lançamento da nova versão e, consequentemente, tenham as suas licenças de uso adquiridos pelos usuários. Os softwares livres, não.

Se optarmos por softwares proprietários, teremos que arcar o custeio com futuras atualizações. Mesmo que os softwares utilizados atendam as necessidades e sejam soluções maduras, sofreremos aquilo que chamamos de upgrade compulsório: os arquivos gerados de versões posteriores normalmente são incompatíveis com os softwares utilizados, e isto certamente acarretará uma série de limitações. Já pensou recebermos de um cliente, uma solicitação de orçamento em formato de arquivo e não poder abrir com a “nossa” aplicação por ela ser de uma versão anterior? Sim, sei que existe o ODF; no entanto, muitos desenvolvedores ainda não estão entusiasmados em adotá-lo.

E se a atualização do software desejado exigir novos requerimentos em termos de software e hardware? Por exemplo, para instalar uma nova versão do programa X, for necessária a atualização do sistema operacional? Ou ainda, a carga de processamento do hardware atual não der conta das novas exigências feitas pelas atualizações? Nossa, nossos problemas não acabam…

Para encerrar este quadro, ainda temos que lidar com o fato do software já ter atingido um alto nível de maturidade. E diferente das alternativas livres, os proprietários precisam mostrar diferenciais para serem vendidos. Para sanar esta necessidade, seus desenvolvedores reformulam toda a interface gráfica, modificam o posicionamento de alguns itens, implementam recursos secundários, realizam aprimoramentos cosméticos… e no final, ainda temos basicamente o mesmo software! A secretária não se entendeu muito bem com o novo software? Talvez se pagarmos um novo treinamento, ela possa dar conta do recado. Ah, vão continuar então com a versão antiga? Então tentem abrir um arquivo gerado pela versão atual!

Hummm… formatos de arquivos, outra grande pedra no sapato! Infelizmente algumas empresas desenvolvedoras de softwares não provêm um bom suporte aos formatos de arquivos das alternativas concorrentes (como eu disse, não estão entusiasmadas). Acham que eu estou exagerando? Penso que não. Como prova disso, pesquisem vocês mesmo sobre o suporte ao ODF (Open Document Format) uma chave de busca como o Google e entenderão o que estou dizendo.

Com os softwares livres, todo este cenário muda radicalmente!

De início, os softwares livres normalmente são disponibilizados livremente. Portanto, não há aquela pressão de serem apresentados grandes diferenciais para justificar a sua aquisição, pois softwares livres tendem a ser softwares gratuitos. E a cada nova versão, as melhorias implementadas são integradas ao software de forma gradual, sem mudanças drásticas na sua estrutura. Isto quer dizer que as diferenças de requerimentos de software e hardware serão mínimas, dispensando os custos extras que já comentei.

Se tais melhorias são implementadas gradualmente, a curva de aprendizado para o uso das novas versões será mais suave, amenizando as necessidades de treinamentos e suporte técnico. Portanto, o novo treinamento para a secretária poderá ser perfeitamente dispensável. E se ela, ao sentar na frete do micro, tiver a sensação de que “o sistema parece diferente”, será somente uma sensação: logo, ela se dará conta de que necessita deixar o trabalho em dia e iniciará as suas atividades. Simples assim, sem rodeios. Acaso, não é assim com as “novas” versões do Ubuntu?

Ainda não acabei. Softwares livres normalmente obedecem padrões e formatos abertos. Isto significa que, tanto o antigo software quanto o novo irão continuar abrindo os mesmos arquivos como antes. E se tais padrões sofrerem mudanças, bastará atualizar o software em uso, pois como já disse, normalmente as novas versões dos softwares são disponibilizadas gratuitamente. E sem grandes diferenças de requerimentos de software e hardware.

Ainda sobre o suporte a formatos de arquivos, os softwares livres são mais abertos neste quesito (e não é à toa que são chamados softwares livres). E se precisar abrir um arquivo gerado por outra categoria de software, muito provavelmente o software livre adotado terá filtros de conversão eficientes. Um belo exemplo para esta categoria é o OpenOffice.org, que por sua vez converte maravilhosamente bem os arquivos gerados pelo Microsoft Office, com pouquíssimas perdas (ou até mesmo nenhuma).

Agora vem a melhor parte: à partir do momento em que o software livre não necessita de ter grandes diferenciais como justificativas para a comercialização de licenças (já que são livres), todas as modificações são feitas essencialmente por serem necessárias! Nada de profundas reformulações e perfumarias, e sim, melhorias com reais utilidades. É por este motivo que um software livre aparentemente simples contém praticamente todos os recursos necessários para as suas atividades. E se por acaso faltar algum, acredite: na próxima versão, este recurso certamente estará disponível. Se ele não o agrada, certamente será melhorado.

Me perguntaram uma vez “porque optar pelos softwares livres ao invés dos proprietários, além da questão do custeamento e liberdade” (embora tais motivos sejam mais que suficientes como justificativas). Com base neste artigo, acredito que já entenderam a resposta. E para resumir tudo, não direi que os softwares livres são os melhores, os maiores ou qualquer argumentação deste gênero. Simplesmente direi que o motivo principal é que são aplicações feitas sob medida para o seu desktop.

Fonte: Desmonta&CIA

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