Presidente da Microsoft AL critica uso do software livre no País

softlivre Para Hernán Rincón, missão dos governos não deve ser desenvolver aplicativos para plataformas abertas.

O presidente da Microsoft para América Latina, Hernán Rincón, criticou a decisão de alguns governos da região, incluindo, e especialmente o Brasil, de incentivar – ou mesmo obrigar – a adoção de software livre em seus serviços públicos e sistemas educacionais.

Para o executivo, a opção pela plataforma aberta significa que os governos precisam investir também em desenvolvimento de serviços e aplicativos. "Com todo respeito ao Brasil, mas qual deveria ser o papel do governo? Desenvolver software ou melhorar a vida da pessoas?", questionou, durante café da manhã com jornalistas latino-americanos em Redmond, sede da companhia. "A inovação precisa ser deixada para o setor privado", disse.

Rincón disse que a Microsoft "co-existe" cordialmente com os sistemas livres, mas que eles não incentivam a inovação e o empreendedorismo. "Se você cria uma ferramenta para uma plataforma aberta, precisa liberar o código. E não conheço uma empresa que tenha isso como modelo de negócios", afirmou. E foi mais além: "quando você não consegue competir com a Microsoft, declara que faz software aberto", provocou.

O executivo também alfinetou uma das grandes ondas da computação corporativa atual: o cloud computing, ou serviços em nuvem. "Os concorrentes falam muito sobre isso, mas a Microsoft já oferece cloud há 16 anos, com o Hotmail", argumentou. "Só o Live Messenger possui 400 milhões de usuários na região", afirmou.

Também sobraram farpas para concorrentes, como o Google. "Eles sõ falam de cloud porque só têm isso. Nós podemos oferecer todos os modelos – do software puramente pago e controlado até o modelo por assinatura (SaS)", disse.

Já para IBM, dúvidas sobre os caminhos da empresa, que preferiu apostar em serviços nos últimos anos. "É a inovação que dirige a economia", alfinetou.

De acordo com Rincón, a empresa está bem posicionada em todos os setores de cloud computing, em três frentes. Para os consumidores finais, oferece o Windows Live Services (Hotmail, Messenger e Sky Drive). Para empresas, o Peoples, plataforma colaborativa online. Por fim, para os desenvolvedores, o Azure – a versão cloud do sistema Windows. "Se você cria um aplicativo para Windows, então já está pronto para o Azure", disse.

Além disso, argumentou, nem todas as empresas irão migrar para a nuvem. "Há muitas companhias que trafegam dados altamente sensíveis, que precisam circular dentro de um ambiente absolutamente controlado, como Departamentos de Defesa e bancos, por exemplo", apontou.

América Latina

Rincón foi bastante otimista com o crescimento da região e, por tabela, da Microsoft. "A América Latina tem crescido a uma taxa de 5% ao ano, enquanto os EUA estão em 2%", disse. Segundo o executivo, um subproduto disso é que, para cada ponto percentual de crescimento do PIB, o investimento em TI aumenta de dois a três pontos percentuais. Por isso, a Microsoft América Latina é a divisão que mais avança. "Hoje somos três vezes maiores que há sete anos", afirmou. O Brasil responde por 45% da empresa na região.

No entanto, sobraram críticas para um antigo problema brasileiro: a taxação. "Quando os governos decidem taxar a importação, se por um lado protegem a indústria nacional, por outro impedem o acesso rápido a novas tecnologias", disse.

Fonte: Desmonta&CIA

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