O que a próxima década reserva aos profissionais de TI

O mercado de TI sempre foi altamente dinâmico. Mas nada se compara às mudanças previstas para a próxima década, em especial, no que se refere à forma dos profissionais do setor trabalharem. “O ritmo de mudanças será dramático”, prevê o presidente da Association for Computing Machinery (ACM) – primeira entidade dedicada à educação e a estudos científicos na área de computação –, Alain Chesnais.

O especialista prevê que as transformações têm como pano de fundo o avanço tecnológico, combinado com a força da web, da mobilidade e do conceito de virtualização. “Como resultado, os departamentos tradicionais de TI deixarão de existir”, sentencia o ex-CIO da seguradora Blue Cross, Thomas Druby.

A primeira grande transição acontecerá com a terceirização de boa parte das atividades realizadas hoje pelas equipes de TI, prevê Druby. “Os departamentos ficarão mais focados no que traz valor: a geração de negócios”, afirma. Como reflexo, ele relata que as organizações demandarão especialistas em processos de negócio, profissionais com capacidade de analisar informações comerciais, experts em segurança e gestores que cuidem do relacionamento com os fornecedores.

Acompanhe, a seguir, os desafios e as oportunidades para três diferentes gerações de profissionais que estarão no mercado de TI em 2020.

Os estudantes
Pessoas que hoje ainda estão na escola ou nas universidades, mas que entrarão para a folha de pagamento dos departamentos de TI até 2020.

Tratam-se de jovens não que conseguem viver sem o celular e a internet. Por esse motivo, estarão mais preparados que as gerações mais velhas para encarar um cenário de negócios orientado pela mobilidade e pelos serviços.

Ao mesmo tempo, as universidades enfrentam dificuldades para adaptar sua grade curricular e preparar os estudantes para lidar com as complexidades impostas por tecnologias como a virtualização e a computação em nuvem. Na perspectiva do CIO da consultoria em recrutamento e gestão de profissionais The Sedona Group, David Buzzell, os recém-formados não têm noções básicas de negócios e da aplicação de soluções tecnológicas no mundo real.

“As empresas contratam gestores de rede e programadores, mas esses profissionais ignoram o funcionamento da empresa”, afirma Buzzell. Ele relata que já deparou-se com um recém-formado que era um especialista em programas de interface com usuários, mas não tinha conhecimento do que significava um banco de dados. “Outro nunca tinha ouvido falar de fatura”, detalha.

Druby concorda com a afirmação de que os centros de ensino estão um passo atrás das inovações tecnológicas. Um sinal disso é a recente adoção de matérias que transmitem noções fundamentais de gestão de projetos. “As universidades têm um atraso de cinco anos para recuperar”, afirma, ao citar que uma maneira de contornar essa situação é investir em programas de estágio, no qual os alunos entendam como funcionam os negócios e tenham um contato mais real com a TI.

Na perspectiva do vice-presidente sênior da Dice.com, empresa de recursos humanos especializada no mercado de TI, Tom Silver, os jovens profissionais do setor deveriam investir em uma formação na qual mesclassem conhecimento de negócio com questões tecnológicas.

Andrew Hrycaj seguiu o conselho de Silver. Enquanto termina a faculdade de administração de empresas, ele frequenta um curso técnico e trabalha em tempo integral como consultor de redes. Além do conhecimento conjugado – de tecnologia e negócios –, ele cita que a experiência prática tem sido fundamental para sua formação.

Os novatos
São as pessoas que têm entre 20 e 30 anos de idade – conhecidas como a Geração Y –, que se encontram em estágios inicias de suas carreiras profissionais. Em 2020, elas serão a maioria da força de trabalho do setor.

Esse público costuma ser bastante informal no trabalho, faz uso intensivo de redes sociais e possui uma habilidade de realizar múltiplas tarefas. E a presença deles nas empresas já provocou algumas mudanças no cotidiano das corporações.

A única questão que separa esses profissionais do sucesso é a dificuldade de nutrir relações interpessoais. Apesar de bastante propensos a usar os meios de comunicação digitais, têm dificuldades de se expressar pessoalmente. “Mandar e-mails e mensagens instantâneas não substituem a conversa presencial”, diz Silver, que sentencia: “essas pessoas têm muito a aprender com os mais velhos.”

Buzzell considera que esses jovens profissionais estão pouco dispostos a assumir que não sabem e ainda demonstram uma falta de responsabilidade sobre como suas decisões podem afetar as empresas. “Eles têm uma falsa sensação de segurança, pois vivem em um ambiente dominado por tecnologias móveis e no qual a confidencialidade das informações está em segundo lugar”, pontua.

O especialista da Sedona ressalta, no entanto, que a seu favor esses profissionais têm o fato de que estão mais abertos às revoluções tecnológicas, o que deve ser um ponto positivo na próxima década.

A versatilidade, intimidade com novas tecnologias e o interesse pelo desafio são os principais motivos pelos quais James Sims, CIO da rede de supermercados SaveMart, se diz um entusiasta pela Geração Y.

Os intermediários

Nesse terceiro grupo estão as pessoas acima dos 30 anos e que, em 2020, estarão no auge da carreira ou às vésperas da aposentadoria.

“Os profissionais de TI que estiverem no topo de suas carreiras em 2020 terão o maior desafio de todos”, prevê Druby. “Já quem vislumbra a aposentadoria nos próximos dez anos, pode relaxar, pois a revolução tecnológica não se dará do dia para a noite”, completa.

De qualquer forma, quem tem hoje mais de 30 anos precisa preparar-se para uma reciclagem completa, pois, em dez anos, as tecnologias serão totalmente diferentes das que existem hoje. Além disso, incorporar novas rotinas e aceitar mudanças será essencial.

Para James Sims, da SaveMart, um ponto negativo dessa geração é que ela tem menos facilidade para trabalhar em grupo do que os mais jovens. Ao mesmo tempo, esses profissionais estão mais preocupados com cargos e hierarquia nas organizações, do que em trazer resultados.

Sims considera que deve ocorrer uma inversão de papéis na área de TI, com pessoas mais novas comandando seu pares mais experientes. “Se você não puder trabalhar em equipe, como espera assumir a gestão de um grupo com tendência à coesão?”, pergunta.

Há 20 anos no segmento de TI, Buzzell sugere que o incremento na habilidade de manter o ritmo e estar em compasso com as mudanças é essencial para quem quer se manter ativo em uma indústria famosa por ser altamente dinâmica. “A chave”, ressalta o executivo, “é investir o máximo em você mesmo. Leitura e qualificação são indispensáveis nesse caso”.

O próprio Buzzell conta que investe 3% de sua renda mensal em qualificação. Além disso, participa de diversos eventos do setor e está pesquisando temas como Six Sigma e processos de negócio.

Já para Silver, o que vale é a pluralidade das habilidades. O caminho para isso, segundo ele, é traçar um plano de carreira no qual o profissional consiga passar por diversas áreas da organização.

Outro conselho para quem se encontra hoje no meio da trajetória profissional é valorizar o conhecimento de questões ligadas ao negócio. “Isso vai diferenciar essas pessoas da Geração Y, a qual não tem habilidade para transitar por diversos departamentos”, destaca Kohl.

Fonte: Computerworld/EUA

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