Seis tendências em data center

Os gerentes de data centers sempre tiveram de lidar com a forte pressão de segurar gastos. É impossível manter discrição quando se é responsável por uma área que consome quase todo o orçamento de TI. Na pesquisa deste ano da InformationWeek Analytics sobre data center, apenas 30% dos 370 entrevistados disseram que terão orçamentos maiores em 2010, comparados com 2009, porém, metade espera aumento na demanda por recursos. A boa notícia é que o uso inteligente de algumas tecnologias emergentes, pode render grande retorno e, também, renovar o foco na eficiência, que não se resume a uma iniciativa verde.

Apesar da pressão do orçamento e dos negócios, os servidores continuam funcionado e a força precisa crescer. Portanto, devemos voltar um pouco e considerar opções fora da zona de conforto – por exemplo, rodar o data center com alguns graus acima pode pagar grandes dividendos caso você tenha o bom senso de experimentar. Outras opções também estão ajudando os CIOs a estender a vida de seus data centers por meio de operações mais eficientes; seis delas estarão expostas aqui.

William Dougherty, diretor de suporte de sistema da Universidade de Tecnologia da Virginia, nos EUA, está considerando virtualização de servidor e consolidação para lidar com problemas de espaço físico e gastos de energia. Por causa do apertado orçamento da universidade, ele usa o hipervisor em código aberto Xen em vez de WMware, e está reaproveitando antigos equipamentos, especialmente nas áreas físicas usadas fora do departamento de TI e quer tentar alinhar este equipamentos com as diretrizes de gerenciamento do ciclo de vida. “Remover dois ou três servidores muito antigos te oferece espaço e energia suficiente para adicionar entre cinco e seis – talvez até mais – novos servidores”, diz Dougherty.

Contudo, densidade mais alta nem sempre se traduz diretamente em melhor eficiência de energia: pode ser tanto uma solução quanto um problema. Coloque mais equipamento em espaços menores e você acaba de criar um problema caro de refrigeração para, possivelmente, economia zero com energia de rede. Como, então, ficar sem energia quando ainda há tanto espaço a ser preenchido, certo?

John Hardman, um consultor da Research Triangle Park, da Carolina do Norte, EUA, que gerenciou os data centers de duas empresas multinacionais por mais de 15 anos, disse que o clima financeiro levou os DCs aos holofotes – com alguns resultados irônicos. “Depois de passarem anos e anos esquecidos no alto da torre do castelo da TI, a computação em nuvem e as tendências econômicas e ambientais destacaram a necessidade de se economizar energia e mudaram a forma como eles são vistos”, disse Hardman. “Enquanto eu era gerente de uma enorme empresa de data centers, eu via profissionais implorarem por recursos que os ajudariam a reduzir gastos com energia, mas eles só receberam essa verba quando a economia mundial começou a afundar.”

Gerenciar recursos pode não parecer uma maneira óbvia de dar mais vida ao data center, mas oferece oportunidades significativas. De qualquer forma, a falta de conhecimento técnico e fornecedores muito diferentes significam que um abismo separa instalações e grupos de TI em termos de sistemas usados para gerenciamento de recursos, e mais. Uma ponte entre as ferramentas – e a distância cultural – deveria ser um esforço-chave em 2010.

Seis tendências a se observar

Além de focar mais em eficiência e na unificação da TI com o gerenciamento de instalações, é necessário prestar atenção em outras tecnologias. Algumas são dificilmente adotadas hoje em dia, mas todas podem causar mudanças significativas nas operações corporativas de data center.

1 – No topo das prateleiras

Uma tendência emergente, incentivada pelo aumento na velocidade das comunicações, servidores blade de alta densidade com bandeja de cabos suspensa é um modelo de switch of rack (ToR) que envolve colocar switches de rede no topo das prateleiras de data center. Os benefícios incluem a redução de cobre e fibras distribuídos, administração centralizada e fácil reprovisionamento de caminhos de rede. Outras vantagens podem incluir baixo custo para portas de ethernet de curta distância de 10 GB e o potencial de convergir dispositivos ToR que podem integrar a Ethernet e o Fibre Channel. Essa tecnologia pode ajudar, também, a solucionar diversos desafios com data centers existentes. Para aqueles que operam cabos subterrâneos e distribuição aérea, ToR pode reduzir obstruções, melhorando, significativamente, o fluxo de ar.

Além disso, a virtualização está levando mais grupos de TI a adotar distribuição dinâmica de servidores, o que requer uma rede dinâmica e caminhos de armazenamento.

Reorganizar, fisicamente, os servidores é uma barreira. Para sistemas blade, ToR facilita a instalação física; as configurações de rede, armazenamento e, em alguns casos, até provisionamento, são feitos automaticamente. Algumas pessoas consideram os switches dentro do chassis de um blade equivalentes ao ToR, mas esse modelo não se posiciona tão bem para a rede convergida do futuro.

Um conceito debatido calorosamente é o de economia de energia. Mesmo sendo altamente dependente do fabricante e da idade do equipamento, converter a forma de comunicação predominante entre data centers para fibra irá reduzir o consumo de energia, de acordo com alguns profissionais; outros argumentam que equipamentos distribuidos em ToR irão, quando agregados, aumentar a necessidade de energia. Nós achamos que ainda é muito cedo para dizer qualquer coisa.

2 – Redes convergentes

Os benefícios das redes convergentes e de switches SAN, assim como com ToR, estão, em grande parte, no potencial de redução da infraestrutura de comunicação de data center, mas convergência também oferece vantagens para provisionamento e virtualização. Embora exista muita especulação a respeito de padrões, a maioria dos grandes fornecedores de redes estão se mudando para o Converged Enhanced Ethernet, ou como a Cisco a chama, Data Center Ethernet.

Uma série de questões está em jogo aqui. A primeira: fornecedores da Fiber Channel preferem superar os problemas mais reais da “Ethernet sem perdas”. Ainda assim, Ethernet como produto devastou quase todos os concorrentes, desde a ARCnet, Token Ring, até ATM. Não seremos contra, mas, se os fabricantes de switches SAN não aprenderem a jogar limpo e logo, eles podem acordar um dia com uma forte dor de cabeça sem saber o que os atingiu.

Mantenha-se atento aos desenvolvimentos. Dependendo da implementação do produto, convergência pode ter um impacto muito positivo em data centers existentes. Para aqueles que contemplam novas instalações, as implicações de design, a longo prazo, são imensas.

3 – Resfriamento interno de servidor

Alguns anos atrás, poucos gerentes de data center haviam ouvido falar em empresas como a SprayCool ou Iceotope. Hoje, a Emerson/Liebert adquiriu a Cooligy, a IBM aumentou a divulgação da Aquasar e a HP faz experiências com líquidos refrigerantes para seus desktops.

O fato é que sistemas de computadores de alto desempenho há muito tempo trazem sistemas de resfriamento interno de servidor, mas o mercado de servidores gerais resistiu por causa dos curtos ciclos de vida dos servidores, geralmente entre dois e três anos. Eles costumam incluir o chassi e a fonte junto com o processador. No entanto, com o crescimento da atenção ao chassi de alta densidade suportando múltiplos servidores e compartilhando fonte de energia e resfriamento, a economia com resfriamento sem ar passou a fazer muito mais sentido.

A infraestrutura de seu data center irá ditar o quão relevante é essa tendência a curto prazo. A maioria das instalações simplesmente não foram desenhadas para receber água gelada ou qualquer outra forma de resfriamento. Mas não deve demorar para descobrirmos como aperfeiçoar para resfriamento interno ou garantir que as novas instalações estejam preparadas para a água gelada. Lembre-se: Quanto mais próximo o cooler estiver da fonte de calor, mais servidores serão resfriados com o mesmo sistema mecânico.

4 – Regulamento e eficiência

A recessão diminuiu o ritmo do momento para regulamentação dos limites de carbono e energia, mas não foi totalmente abatido. A administração de Barack Obama ordenou, recentemente, que agências federais reduzam, de modo significativo, a emissão de gases e resíduos. Para obedecer, CIOs federais deverão considerar eficiência energética na aquisição e gerenciamento de servidores e outras tecnologias de data center. E as empresas devem prestar atenção nos rumos da regulamentação conforme a economia melhora. Esforços de eficiência direcionados à extensão do ciclo de vida dos data centers irão ajudar, mas isso pode não ser suficiente  se seus sistemas mecânicos e elétricos tiverem mais de 10 anos.

5 – Gerenciamento de energia interna

Os benefícios anunciados para gerenciamento avançado de energia são, geralmente, apresentados sob circunstâncias ideais. Do ponto de vista do data center, o gerenciamento de energia do servidor deve ser balanceado com o desempenho exigido. A prova está nos resultados, e eles estão longe de serem bem definidos: nas últimas várias gerações de plataformas de servidor, apenas 40% do consumo de energia pode ser gerenciado pelas funções de gerenciamento de energia de servidor. Dos entrevistados pela pesquisa, 24% indicaram uma pequena melhora, ou nenhuma melhora, usando essas tecnologias; apenas 17% obteve impacto entre moderado e significativo.

Devido aos benefícios limitados das ferramentas de gerenciamento dinâmico de energia dentro de hardware, funções de software estão entrando em ação; um exemplo é o Distributed Power Management, da VMware, que agrega máquinas virtuais quando os processadores estão ociosos e desligam servidores que não estão sendo usados.

Os fabricantes de hardware ainda estão se afastando do problema. Depois de várias gerações de produtos entregues com alta densidade integrada a alto consumo de energia, os fornecedores, finalmente, começaram a entregar servidores de alta densidade e alta eficiência.

Mas, de qualquer modo, você ainda precisa fazer a devida diligência. Algumas funções de gerenciamento de energia são eficazes, mas se você pode usá-las ou não, irá depender da carga do seu computador.

6 – Computação em nuvem

Sim, também odiamos esse termo, mas, apesar do nome, o conceito de capacidade de infraestrutura como serviço irá impactar a maioria dos data centers corporativos. Serviços em nuvem – pública e privada – dão muita ênfase ao consumo dinâmico de recursos, sejam eles internos ou externos. Conforme essa tendência amadurece, CIOs e arquitetos de data center devem se engajar no planejamento e gerenciamento de recursos.

Para a maioria das empresas de data centers, serviços de infraestrutura pública ou privada serão restritos a extensão de sistemas que hoje são locais. Poucos podem pagar por serviços terceirizados completos, mesmo que as questões de segurança e disponibilidade permitam – isso não passa de uma possibilidade.

Pressupondo que as ferramentas de gerenciamento de recursos estejam em casa, o relacionamento com a nuvem não será uma simples questão de “recurso sob demanda”. O futuro relacionamento entre o data center de empresas privadas e a nuvem pública deverá ser de constante interação, monitorando onde os processos são mais eficientes para seu acordo de nível de serviço particular. Em todos os casos, controle dinâmico e monitoramento serão partes importante das responsabilidades da equipe de data center.

Muitas áreas de TI ficam na defensiva quando discutem sobre tecnologia em nuvem e levantam preocupações importantes. Por exemplo, Hardman prevê que a recuperação de desastre deve se tornar um desafio para empresas menores que acabam por baixo na ordem de importância para recursos. “Mais instalações estão sendo construídas em lugares com energia mais barata, e as fazendas de servidores são vendidas em blocos como ‘computação em nuvem” para outras empresas”, contou. Existe experiência mínima local, e todos os dados fluem por um grande tubo disfarçado de múltiplos pontos de entrada em múltiplas direções, mas tudo dentro da mesma infraestrutura. “Então acontece um desastre”, supõe Hardman, “o dono do data center usa primeiro os recursos necessários, mas não se dá ao trabalho de redirecionar a capacidade de rede. Os pequenos e médios clientes que tinham dados importantes na nuvem podem se encontrar presos na fila de renteção”.

Conclusão

Se, em sua empresa, TI se traduz a nada mais do que “governança do seu contrato com o fornecedor de computação em nuvem”, você pode estar em apuros. Mas, por outro lado, empresas que incorporaram, sensatamente, capacidades de infraestrutura-como-serviço terão, no fim, um nível mais alto de demanda e sofisticação em TI. As tecnologias em nuvem exigem um entendimento claro do requerimento de performance do aplicativo, acordos de nível de serviço, prioridades operacionais e de negócios, e gastos por todos os aspectos de entrega de serviço.

Por fim, se as tendências para 2010 discutidas em nossa pesquisa nos mostraram alguma coisa, foi que precisamos melhorar nossas habilidades ao lidar com as tecnologias em constante mudança, tanto dentro quanto fora do data center. Desenvolver novos processos para gerenciar, de forma eficiente, caros recursos de data center requer um investimento em seus profissionais. Talvez, seja assim que os CIOs irão conseguir o melhor de qualquer tecnologia que discutimos até agora, porque muitos dos benefícios da eficiência são reconhecidos por meio do pensamento crítico e das habilidades de planejamento da equipe de data center. A tecnologia ajuda, mas sem análises sólidas e soluções criativas para os problemas, nenhum desses investimentos irá gerar frutos para sustentar a vida dos data centers.

Fonte: InformationWeek/EUA

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