Quebrando chaves WEP

Quebrando chaves WEP Para você entender a importância de usar o SSH o outros protocolos seguros ao usar uma rede wireless, vou falar um pouco mais sobre como quebrar chaves de encriptação, para que você possa entender os ataques usados pelos que estão do outro lado.

Alguns pontos de acesso utilizam versões vulneráveis do WEP, que são muito rápidas de quebrar (em muitos casos você pode corrigir através de uma atualização de firmware) mas, mesmo as versões “não vulneráveis” do WEP podem ser quebradas via força bruta, sempre que seja possível capturar um volume suficiente de tráfego da rede.

Você pode simular uma invasão na sua própria rede, para verificar qual seria o volume de trabalho necessário para invadi-la. Para isso, você vai precisar de pelo menos dois micros ou notebooks. Um deles vai ser usado como um cliente de rede normal e pode usar qualquer placa de rede, enquanto o segundo (que usaremos para simular o ataque) precisa ter uma placa compatível com o Kismet.

Configure o seu ponto de acesso ativando o WEP e desativando o Broadcast do SSID. Ou seja, faça uma configuração relativamente segura, mas depois faça de conta que esqueceu tudo.

Comece abrindo o Kismet no notebook “invasor”. Deixe que ele detecte as redes próximas, pressione “s” para ajustar a ordem dos nomes na lista, selecione sua rede e pressione “shift + L” para que ele trave a varredura na sua rede e deixe de bisbilhotar nas redes dos vizinhos.

Inicialmente, sua rede será detectada como “no ssid”, já que o broadcast do SSID foi desativado no ponto de acesso. Mas, assim que qualquer micro se conecta ao ponto de acesso, o Kismet descobre o SSID correto. Pressione “i” para ver os detalhes da rede e anote o endereço MAC do ponto de acesso (BSSID), que precisaremos para iniciar o passo seguinte.

Agora que já sabemos o SSID e o MAC do ponto de acesso, falta quebrar o WEP. Para isso precisaremos do Aircrack, uma suíte de aplicativos para verificação de redes wireless, que pode ser encontrada no http://freshmeat.net/projects/aircrack/. Nos derivados do Debian, ele pode ser instalado via apt-get:

# apt-get install aircrack

Outra opção é baixar o Back Track, um Live-CD baseado no Slax, que já vem com o Aircrack, Kismet e outras ferramentas úteis pré-instaladas.

O primeiro passo é capturar pacotes da rede usando o airodump (que faz parte da suíte aircrack). A sintaxe do comando é “airodump interface arquivo-de-log mac-do-ponto-de-acesso”, como em:

# airodump ath0 logrede 00:50:50:81:41:56

Você pode também indicar um canal (neste caso, ele escuta todas as redes que estejam transmitindo no canal indicado), como em:

# airodump ath0 logrede 14

Isto gerará o arquivo “logrede.cap”, que contém um dump de todos os pacotes capturados. Neste ponto você precisa esperar algum tempo até conseguir um volume razoável de pacotes. Para acelerar isso, faca com que o micro isca baixe alguns arquivos grandes a partir de outro micro da rede.

Abra outro terminal e use o aircrack para tentar quebrar a chave de encriptação. Você pode fazer isso sem interromper a captura do airodump, daí a idéia de usar dois terminais separados.

Ao usar o aircrack, é preciso especificar o comprimento da chave WEP (64 ou 128 bits) e o arquivo gerado pelo airodump, como em:

# aircrack-n 64 logrede.cap
ou:
# aircrack -n 128 logrede.cap

Caso o arquivo contenha pacotes destinados a mais de um ponto de acesso, ele pergunta qual verificar. No caso, indique sua rede.

O aircrack usa um ataque de força bruta para tentar descobrir a chave de encriptação da rede. A base do ataque são os IV’s (vetores de inicialização), a parte de 24 bits da chave de encriptação, que é trocada periodicamente. O volume de IV’s gerados varia de acordo com a rede (por isso existem redes mais vulneráveis que outras) mas, em teoria, é possível quebrar a encriptação de uma rede de 128 bits caso você consiga capturar de 500 mil a um milhão de IV’s, enquanto uma chave de 64 bits pode ser quebrada com pouco mais de 200 mil. Caso seja usada uma chave fácil de adivinhar, os números são drasticamente reduzidos, permitindo em muitos casos que a chave seja quebrada com a captura de alguns poucos milhares de IV’s.

Como todo processo de força bruta, o tempo necessário é aleatório. O aircrack pode descobrir a chave correta tanto logo no início da captura, quanto só depois de capturar mais de um milhão de IV’s. Por isso é interessante deixar o terminal de captura do airodump aberto e ir executando o aircrack periodicamente, até que ele descubra a chave. Quanto maior o volume de dados capturados, maior a possibilidade dele descobrir a chave.

Uma forma de aumentar a eficiência do ataque, ou seja, aumentar a chance de descobrir a chave, usando o mesmo número de IV’s, é aumentar o “fudge factor”, o que faz com que o aircrack teste um número maior de combinações. Isso, naturalmente, aumenta proporcionalmente o tempo necessário para o teste.

O default do aircrack é um fudge factor 2. Você pode alterar o valor usando a opção “-f”, como em:

# aircrack -f 4 -n 128 logrede.cap

É comum começar fazendo um teste com o valor default, depois com fudge 4 (como no exemplo) e a partir daí ir dobrando até descobrir a chave, ou a demora se tornar inviável.

Com um grande volume de IV’s, uma chave WEP de 64 bits é um alvo fácil. Neste caso a quebra demorou apenas 21 segundos:

Como é necessário capturar um grande volume de dados e muitas redes são usadas apenas para acessar a Internet e outras tarefas leves, capturar o volume de pacotes necessário poderia demorar dias.

Um invasor com um nível mediano de conhecimento, provavelmente não se contentaria em esperar tanto tempo. Ao invés disso, ele poderia usar um ataque de flood para induzir tráfego na sua rede, de forma a acelerar o processo, transformando os muitos dias em apenas alguns minutos.

Um exemplo de ferramenta usada para este tipo de ataque é o aireplay, mais um integrante da equipe do aircrack. O comando abaixo lança um “chopchop atack” (o tipo de ataque mais eficiente para quebrar chaves WEP) contra o ponto de acesso referente ao endereço MAC especificado, através da interface ath0:

# aireplay -b 00:50:50:81:81:01 -x 512 ath0 -4

Neste ataque, o aireplay captura um weak packet emitido por algum dos outros micros conectados ao ponto de acesso e o repete indefinidamente, obrigando o ponto de acesso a responder e assim aumentar rapidamente a contagem de IV’s, permitindo quebrar a chave WEP muito mais rapidamente. Este é o tipo de ataque mais efetivo, pois derruba a última grande barreira contra a quebra do WEP, que era justamente a demora em capturar um grande volume de pacotes.

O “-x 512” especifica o número de pacotes que serão enviados por segundo. Aumentar o número permite quebrar a chave mais rapidamente, mas, por outro lado, vai reduzir o desempenho da rede, o que pode levar o administrador a perceber o ataque (a menos que ele seja feito em um momento de ociosidade da rede).

Como pode ver, o WEP dificulta o acesso à rede, mas quebrá-lo é apenas questão de tempo. Para melhorar a segurança da sua rede, o ideal é combinar várias camadas de segurança e monitorar os acessos, fazendo com que o tempo e trabalho necessário para invadir a rede seja maior (o que vai afastar os curiosos e invasores casuais) e vai lhe dar tempo para detectar e investigar casos mais graves.

Ao usar o WEP, o ideal é trocar a chave de encriptação regularmente, de forma que, mesmo que alguém consiga descobrir a chave, não consiga usar a rede por muito tempo antes que ela seja trocada. Se possível, utilize o WPA, que, apesar dos problemas de compatibilidade, é muito mais seguro.

O WPA também usa 128 bits de encriptação. A principal diferença é que ele usa vetores de inicialização de 48 bits (o WEP usa vetores de 24 bits), juntamente com um conjunto de proteções contra possíveis ataques. É possível descobrir a chave de encriptação em uma rede WPA-PSK via força bruta, depois de capturar uma pequena quantidade de dados da rede, mas isso só é viável para chaves com poucos caracteres, ou que são baseadas em palavras encontradas no dicionário.

Por exemplo, uma chave como “supercampeao” pode ser descoberta rapidamente, enquanto outra baseada em caracteres aleatórios, como “ErGCDtv8i9S3” demoraria muito tempo para ser quebrada, fazendo com que o invasor desistisse. A dica geral ao usar WPA é escolher uma senha de pelo menos 12 caracteres, misturando letras, números, e caracteres maiúsculos e minúsculos.

Caso a rede seja usada apenas dentro de um pequeno espaço, como uma única sala, apartamento ou escritório, você pode também reduzir a potência do transmissor no ponto de acesso, o que acaba sendo uma medida muito efetiva, pois realmente impede que o sinal da rede seja captado de longe.

Procure pela opção “Antenna transmit power” ou similar (dentro da configuração do ponto de acesso) e veja qual é o menor valor com que a rede funciona corretamente dentro da área necessária:

Outra dica que dificulta, é habilitar a restrição de acesso à rede com base no endereço MAC, geralmente disponível através da opção “Access Control” do ponto de acesso. Ao ativar esta opção, você cria uma lista com os endereços MAC das placas autorizadas e o ponto de acesso restringe o acesso de qualquer outra.

Programas como o airodump e o próprio Kismet permitem descobrir o endereço MAC dos micros que estão acessando determinada rede muito facilmente, e o endereço MAC da placa de rede pode ser forjado (no Linux, por exemplo, você pode falsear usando o comando “ifconfig wlan0 hw ether 00:11:D8:76:59:2E”, onde você substitui o “wlan0” pela interface e o “00:11:D8:76:59:2E” pelo endereço MAC desejado). A questão é que, ao forjar o endereço, o invasor vai derrubar o micro com a placa que foi clonada, de forma que você perceba que algo está errado.

O próximo passo seria isolar sua rede wireless do restante da rede, fazendo com que o invasor possa acessar a Internet, mas não tenha como acessar compartilhamentos e outros recursos da rede.

O mais simples neste caso é instalar uma placa de rede adicional no servidor da rede (ou em qualquer outro micro na ausência dele), onde é conectado o ponto de acesso. Compartilhe a conexão com a placa do AP, mas utilize duas faixas de IP’s separados, com um firewall ativo, configurado para bloquear tentativas de conexão provenientes dos micros dentro da rede wireless.

Fonte: Desmonta&CIA

Anúncios

Tags:,

About Desmonta&CIA

Somos um blog que busca informar aos apaixonados por tecnologia tudo sobre o mundo de TI.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: